Descendentes de Antonio Goncalves Ferreira

Seventh Generation


31. Horacio Gustavo da Costa [image] (Joao Antonio da Costa , Camilo Aureliano da Costa Pinto , Julia Emilia da Silva e Sousa , Jose Leandro da Silva e Sousa , Teresa Inacia de Sousa Lobo , Antonio Goncalves ) was born on 18 Jan 1889 in A do Cavalo, Trancoso, Portugal. He died on 12 Nov 1963 in Ferraz de Vasconcelos, Sao Paulo, Brasil. He was buried in Ferraz de Vasconcelos, Sao Paulo, Brasil.

Horácio Gustavo da Costa teve seu passaporte emitido, em 19 de junho de 1.908, na Guarda, pela 3a. Repartição, sob nº. 717, Registrado no Livro 35, sob nº 132, com destino para Manaus, Brasil, com saída do porto de Lisboa. Ele era natural de A do Cavalo, freguesia de Moreira d e Rei, Concelho de Trancoso, Distrito da Guarda.
Horacio nasceu, no dia 15 de janeiro de 1.889, as 11 horas da noite e seus padrinhos foram Antonio Jose Rebello e sua mulher Luiza Augusta da Costa Rebello, esta ultima provavelmente sua tia, irmã de seu pai. A certidão de nascimento foi elaborada pelo Abade Luiz Antonio Gomes. Faleceu em Ferraz de Vasconcelos, aos 12 de novembro de 1963, às 14:30 horas.
Juntamente com seus pais, João Antonio da Costa e Maria Augusta Moutinho, imigrou para o Brasil, saindo do porto de Lisboa, para a Cidade de Manaus, no Estado do Amazonas, Brasil. No Amazonas ele exerceu a atividade de seringueiro (extração de látex), no local denominado Canutama, que fica as margens do Rio Purus. Casou-se com Raimunda Idalina Oliveira, em 5 de janeiro de 1918, na cidade de Canutama, no Estado do Amazonas. Dessa união nasceram vários filhos, sendo que o mais velho e meu pai, Nelson Oliveira da Costa.
Em maio de 2000 estive na terra natal de meu avo, onde pesquisei a documentação existente no arquivo distrital da Guarda. La localizamos sua certidão de nascimento, bem como outros documentos da família. Todavia, por forca das constantes imigrações por que tem passado os portugueses não nos foi possível localizar nenhum parente.

Horacio married Raimunda Idalina Oliveira [image] daughter of Francisco Fidelis Oliveira and Joana Idalina Sanches. Raimunda was born on 15 Sep 1902 in Manaus, Amazonas, Brasil. She died on 31 Jul 1990 in Sao Paulo, São Paulo, Brasil. She was buried on 1 Aug 1990 in Ferraz de Vasconcelos, Sao Paulo, Brasil.

Raimunda Idalina Oliveira nasceu, em 15 setembro 1902, em Manaus, Amazonas, Brasil. Aos 15 anos de idade casou-se com Horacio Gustavo da Costa.
MEMORIAL DE UMA AMAZONENSE
Era dois de setembro de mil novecentos e dois. Iniciava o século vinte e vem a este mundo uma menina nascida num seringal dentro da Floresta Amazônica. Deram-lhe o nome de Raimunda.
Seu pai cearense havia vindo para tentar “a vida" como assim diziam os antigos nos seringais da Amazônia.
Neste período já empregado no seringal, e extraindo látex para borracha, apaixona-se por Idalina uma das filhas da dona do seringal. Paixão impossível, contida pela lógica do pensamento racional. Mas esta paixão torna-se recíproca.
Quantos sonhos e pensamentos, tentativas de esquecimento e fuga. Tudo é em vão e os dois enamorados decidem enfrentar tudo e todos para poderem viver esse amor.
- Tu estás louca Idalina, como suportarás viver naquele sertão. És moça fina de bons tratos, haverá de apaixonar-te por alguém que lhe mereça. Este seringueiro estás a te enganar, quer apenas teu dote e te deixa. Nunca consentirei com esse teu dito amor.
Assim expressa sua mãe furiosa sonhando com o casamento da filha com alguém que lhe mereça conforme dizia. Já imaginando com a bela festa de casamento da filha onde os convidados seriam os ricos e prósperos seringueiros da sociedade amazonense especificamente os de Manaus.
Quanta frustração vem a seguir. Idalina é firme e determinada em lutar por seu amor.
- Minha mãe ou me casas ou vou-me embora para o sertão o que tu preferes?
- Como ousas enfrentar-me assim?
- Com todo respeito que lhe mereço minha mãe. Mas vou seguir meu coração.
Assim Idalina consegue seu intento e propósito casa-se e vai para o sertão.
Deste casamento lhe nascem quatro filhos. Dois homens e duas mulheres sendo a terceira filha a menina Raimunda que gosta muito de brincar com a irmãzinha mais nova.
- Luís acho que vais ser pai novamente, que achas?
- Por mim tudo bem, preocupo-me por ti, longe de tua parentela sofres muito talvez vás ter esse filho lá com tua mãe.
Mas Idalina não imaginava que jamais voltaria. Lá mesmo foi enterrada, há sofrer dois dias e duas noites a dor do parto não resistiu morrendo e levando junto seu filhinho no ventre.
Após o desenlace seu pai manda Raimunda e sua irmãzinha para Manaus para serem criadas pela avó. Os dois rapazinhos ficam para continuar a vida do seringal junto ao pai.
ANOS DOURADOS
A avó resgata o amor perdido da filha como assim considerava pelo amor o carinho que agora dedica às duas netinhas. Compra-Ihes roupas finas, jóias. Fazem passeios e até professor particular contrata para as meninas serem alfabetizadas. Professor de francês também vem semanalmente a casa ministrar aulas, mas Raimunda não gosta do mestre e chora dizendo para avó:
- Tenho medo desse homem ele tem olhos de vidro que me assustam.
Ela nunca virá alguém com olhos azuis cor de piscina. O mesmo era realmente um francês de olhos azuis. A menina estava acostumada apenas com rostos bronzeados, morenos do sol e da própria legitimidade da raça indígena já miscigenada.
A avó contrariada dispensa o professor, sonhava com a neta indo para Paris, mas ... Já estava aprendendo que nem sempre tudo é como se quer.
Certo dia a irmãzinha de Raimunda amanhece muito febril, e em poucos dias vem a falecer, apesar do "doutor" ter vindo em casa para atendê-Ia.
Raimunda sofre muito ao perder sua companheirinha. Nesta época ela estava com oito anos e a irmãzinha com seis.
As queridas tias solteiras levam Raimunda para passear, compram-lhe doces vão à docerias, fazem de tudo para que a menina volte a se alegrar.
O tempo passa e sua avó sofre um novo golpe. Descobre que um de seus filhos está tendo um caso com uma "mulher casada", fora dos propósitos e da criação que lhe dera. Chama atenção do rapaz e o mesmo promete não levar adiante o caso, mas desejava mesmo era fugir com a referida "senhora casada".
Um dia uma amiga da avó de Raimunda vem visitar-lhe e confessa ter visto seu filho entrar a casa da "senhora casada". Após despedirem-se, terminado o lanche ela resolve verificar o fato. Chegando a casa da maldita pega em flagrante os dois apaixonados. Há uma grande discussão talvez até alguns tapas e safanões. Após recompor-se volta muito mal para sua casa. Chamam o doutor, mas após três dias vem a falecer.
A menina Raimunda agora beirando os dez anos de idade sofre sua terceira grande perda na vida.
RETORNO AO SERINGAL
Suas tias a devolvem para o pai e a menina agora vai viver no sertão, no seringal. Sofre muito de saudades da avó, das tias e da vida que levava.
Suas jóias e roupas são distribuídas para as novas irmãs. Seu pai havia constituído uma nova família e possuía mais duas filhas e um filho. As crianças chamam-se Francisca, Letícia e João, e Raimunda sentia-se uma intrusa nessa família.
Foi muito dura essa adaptação. Levantava de madrugada para virar o forno e fazer farinha de mandioca. Não sabia fazer nada. Havia sido criada no luxo e agora era a gata borralheira. Precisava tirar o almoço no horário certo para os peões (homens contratados pelo pai para trabalhar na extração da borracha). Se não cumprisse suas tarefas apanhava da madrasta e do pai.
Seu irmão mais velho afeiçoou-se a irmã e tinha muita dó pelos maltratos que sofria.
O CASAMENTO
Raimunda já era uma mocinha com quinze anos, trabalhava muito. Certo dia seu irmão vem a ela e diz:
- Minha irmã tenho pena de teu sofrimento. Escute, há aqui trabalhando para nosso pai um português muito bom e esforçado, está gostando de ti. Casa-te com ele e sai deste inferno.
Após pensar e sabendo que era do gosto de seu pai esse casamento, ela aceita e casa-se com Horácio que possuía o dobro da idade dela.
Continua vivendo no seringal, trabalhando e aos dezessete anos tem seu primeiro filho em Manacapuru, deram-lhe o nome de Nelson.
VINDA PARA SANTOS
Após alguns anos de trabalho percebem que os seringais começam a fracassar e possuíam umas economias. Diz Horácio:
- Vamos pegar o vapor e iremos embora para uma cidade chamada Santos quando vim para o Brasil alguns patrícios foram para lá. Talvez tenhamos mais sorte.
Ela alegrou-se com a idéia e até sonhou:
- Talvez numa cidade grande eu encontre de fato um amor.
Instalados em Santos, Horácio consegue um emprego de motorneiro (condutor de bondes) na Cia CITE.
Em Santos a família cresce e nascem os filhos Dalila, Walter, Odair, Luiz e Maria Helena. Walter faleceu ainda pequenino e Odair com dezessete anos vítima de tuberculose contraída no serviço. Trabalhava como alfaiate. Seu patrão tocava trombone e o mesmo interessou-se em aprender a tocar o instrumento. Usava para os ensaios o trombone do professor que estava doente e ninguém sabia, quando descobriu Odair também já havia contraído a enfermidade que até aquele momento era incurável.
Nesta altura dos acontecimentos os familiares do vovô Horácio já estavam morando em Santos e São Vicente. Sua mãe, bisavó Augusta e os irmãos Francisco (tio Chico), Camilo e Cândida que veio a ser sogra de Aristides Petrela - Família Petrela moradora do Brooklin.
A família da avó Raimunda veio também residir em Santos. Seu pai, sua madrasta, três irmãs e um irmão.
Com tantos altos e baixos Raimunda torna-se uma mulher sofrida e muito amarga e muitas vezes talvez inconscientemente chega a ser muito má com os filhos, esposo e com ela mesma.
Trabalha muito lavando e passando roupa para fora, quando uma patroa arranja um emprego na Beneficência Portuguesa de Santos, mas por problemas de saúde concede a vaga para sua irmã caçula Ana que veio aposentar-se trabalhando nessa entidade.
Por constantes problemas de saúde o médico aconselha que ela mude de Santos e vá para São Paulo pela questão de altitude já que sua pressão era muito baixa na planície costeira do mar. Como tinha um cunhado chamado Alberto esposo de sua irmã Letícia veio fazer-lhe uma visita num pequeno lugarejo chamado Ferraz de Vasconcelos, conheceram um loteamento novo e que estava dentro das condições para pagar as prestações. Adquirem uma chácara o que deixa vovô Horácio muito feliz, pois poderia dedicar-se a plantar árvores frutíferas tais como mexeriqueiras, amoreiras, abacateiro, figueiras a até caramboleiras.
Constroem uma pequena casa e aventuram-se mais uma vez em uma nova fase da vida. Vovô Horácio já está aposentado. Nelson já casado, Dalila e os demais estão solteiros. Dalila vem a casar-se para agradar a mãe com o jovem farmacêutico Júlio que cuida de sua mãe.
Novas histórias de vida vão sendo construídas pelos filhos e parentes do casal Horácio e Raimunda.
Cada filho vai constituindo sua família Nelson casa-se com Irene e tem quatro filhos, uma menina que faleceu ao nascer. Os filhos Odair, Ivan, Nelson Horácio.
Dalila casada com Júlio tem sete filhos - dois meninos e uma menina morrem ao nascer. As filhas Sonia Zaíra, Rosângela, Ana Maria, Rosaura e Dalila Nícia.
Luiz casado com Ruth - filhos Tânia, Marcos Luiz, Márcia Leila gêmea com Mauro.
Maria Helena casada com Emídio - filhos Giuseppe, Giuliano, Luciana. Horácio faleceu aos 75 anos.
Aos vinte e oito anos de idade falece Maria Helena, filha caçula. Com quarenta e cinco anos de idade falece Dalila.
Vó Raimunda sobrevive a todos essas perdas.
Encerro essa breve narrativa de vida e concluo para mim quanta garra teve essa mulher, quanta dor, mas apesar de tudo construiu uma linda família. Somos pessoas abençoadas, bonitas, prósperas, e também com muita garra.
Aqui relatei parte de fatos verídicos da vida de Raimunda Idalina Oliveira Costa, nascida em 15.10.1902 - falecida em 31.07.1990.
Memorial escrito por Sonia Zaíra Julio Ferreira.
17/01/2007

Horacio and Raimunda had the following children:

+ 32 M i Nelson Oliveira da Costa
  33 M ii Odair Oliveira da Costa
  34 F iii Dalila Costa
        Dalila married Julio Ferreira Julio.
+ 35 M iv Luis Costa
  36 F v Maria Helena Costa
        Maria married Emidio Muffo.
  37 M vi Walter Oliveira Costa

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